No dia da nova confusão na escola, quase gastei a bateria inteirinha do celular em ligações pra psicóloga, pra psiquiatra, pro meu marido.
A psicóloga me acalmou e lembrou que no dia seguinte teria consulta e que ela abordaria o tema de morte, suicídio e afins. A psiquiatra suspendeu a Ritalina (ele tomava uma pela manhã cedo, com abrangência de 4h e uma no almoço, com abrangência de 8h), pois suspeitava (e eu tb) que o efeito estava sendo o contrário do esperado: ao invés dele se acalmar e focar nas coisas, estava ficando cada dia mais agitado. Realmente à noite, na hora de dormir, estava cada dia mais difícil colocá-lo na cama, tamanha a agitação em que ele se encontrava sempre.
Quando cheguei em casa e vi o Pedro, me deu um clique por dentro, uma coisa que ainda não tinha acontecido. Nas vezes que ele "aprontou", eu ficava com vontade de matar o Pedro, de deixá-lo de castigo eternamente. Daquela vez não. Acho que pela primeira vez o vi do jeito que ele realmente é: uma criança indefesa, sozinha e que só tinha a mim para defendê-la do mundo aqui fora. E se eu, a única que poderia ajudá-lo, fosse a primeira a atacá-lo, o que seria dele então? Apenas o abracei e beijei e quis que ele soubesse que meu amor era imenso e que eu errava sim, mas na tentativa de acertar. E que quando eu errava, doía muito em mim, eu me sentia a pior das criaturas.
No dia seguinte, a psicóloga me explicou que a idéia de morrer pra ele era uma coisa fantasiosa, de desenho animado (como o coiote que cai do desfiladeiro atrás do papa-léguas e sai inteirinho depois do "puf" lá embaixo). Apenas não queria mais estar na sala e pensou:"se eu me machucar na escada, vou sair daqui conforme eu quero." Simples assim e ao mesmo tempo complicado assim....
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