sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Rumo ao 9° ano

Eu estava lendo e re-lendo as postagens antigas. Nossa, quanta angústia passamos já, eu e Pedro! Muita,as muita água japasdou por baixo da nossa ponte! E não foram águas tranquilas, foram tsunamis.
Graças a Deus o ano de 2018 trouxe uma grande estabilidade emocional para o Pedro. A combinação de acertos em relação às escolha da psiquiatra, psicóloga e mediadora somada à própria maturidade do Pedro foram fundamentais para este sucesso.
Tivemos um ano tranquilo. Óbvio que, em se tratando de um adolescente autista, o "tranquilo" é como "sem grandes stresses" e não uma nuvem de algodão com unicórnios alados saltidando sobre ela.
Pedro conseguiu lidar com várias questões de relacionamento na escola com muita maturidade e sem os chiliques de antes.
Chegou ao ponto da diretora me abordar para elogiar o quanto ele estava mudado.
Ano que vem teremos a formatura do nono ano, mas isso já é papo para ooooooooutro post!


quinta-feira, 29 de março de 2018

O dia em que o preconceito nos atropelou

Acabo de passar por um dos piores momentos da minha vida no BRT. Não foi assalto, ok. Eu estava vindo dar aula e o Pedro está comigo. Estávamos sentados nos bancos amarelos quando veio uma senhorinha cheia de bolsas e eu pedi pro Pedro ir pro banco comum em frente ao amarelo, já que ele estava na ponta e eu, na janela. Lá ele permaneceu a viagem toda até descermos na estação Via Parque. Ele se levantou primeiro e foi pro corredor e a moça que estava no corredor, sentou-se no lugar dele. Eu ainda não tinha conseguido passar pro corredor e ouvi a mulher (bem vestida, de jardineira jeans e blusa laranja, com uma tatuagem nas costas, relativamente jovem) que esteve sentada ao lado dele a viagem toda dizer para a que sentou: "Graças a Deus vc sentou. Foi uma tortura psicológica vir a viagem toda ao lado deste coisa ruim que não pára de sacudir as pernas!" Pronto. O "coisa ruim" em questão tomou conta de mim. Cutuquei a mulher e falei que ela não sabia do que estava falando, que meu filho era autista e não estava sacudindo as pernas para torturá-la psicologicamente como ela havia dito. Então ela disse que se ele era "anormal", teria que sentar no banco amarelo e andar com uma plaquinha na testa avisando aos outros que era retardado mas não tinha cara de autista! E me xingou de muitos, muitos palavrões. Inacreditavelmente eu não proferi um só, mas a chamei de BURRA, de desinformada e disse que era CRIME o que ela estava fazendo e que meu filho não podia se defender sozinho de alguém tão preconceituoso como ela. Àquela altura, uma outra mãezinha, sentada com um filhinho pequeno nos braços, veio me defender e o BRT inteiro começou a ficar do meu lado. Eu desci do ônibus me tremendo dos pés à cabeça, com dor na alma... E o que mais doeu é que o Pedro me perguntou o que tinha acontecido pq ele não entendeu nada...
Preciso que este texto role para agradecer às pessoas que foram dignas e de bom coração e também defenderam meu filho. Eu estava no BRT Madureira-Alvorada e cheguei à estação Via Parque por volta das 17:30/ 17:45.