Há alguns anos atrás, vendo o filme "A Noviça Rebelde" (não há Cristo que me faça entender pq "The Sound of Music" virou isso em português, mas isto é ooooutra história), escutei a Madre Superiora dizer à Maria, então em dúvida se deixava o hábito para correr atrás de seu grande amor, Capitão Von Trapp: "Quando Deus fecha uma porta, ele abre uma janela". Aquilo me impressionou por anos e eu não tinha idéia de que isto é um dito popular, mas pra mim foram palavras sábias de uma religiosa de respeito.
Pois bem, ao longe desta trajetória com o Pedro, várias e várias portas têm sido fechadas, aliás, batidas na nossa cara. Mas tb logo depois vem uma janelinha tímida se abrindo e mostrando o caminho.
Conforme eu disse no post anterior, achamos uma escola maravilhosa... Na Penha Circular, que fica há cerca de 1:30 minutos daqui de casa, sem trânsito, de ônibus. Queremos colocar o Pedro lá, é nosso plano inicial. Mas...
Na terça-feira desta semana, estava assistindo o "Bom Dia, Rio" e vi anunciarem que o município estava abrindo vagas para a educação especial. Então me perguntei:"PQ não?" Uma amiga querida, Claudia (uma das únicas leitoras daqui, creio eu, rsrsrs) há tempos vem me aconselhando tomar este caminho. A psicóloga e fono do Pedro, tb. A terapeuta familiar, tb. Será que era mera coincidência, justamente naquele dia eu assistir o noticiário que NUNCA assisto??? Entrei no site da prefeitura e fiz a inscrição, a opção era uma escola aqui na nossa esquina. Para minha surpresa, correu tudo bem, tinha vaga e marcaram pro dia seguinte para eu ir na CRE (conselho regional de educação) para levar a documentação do Pedro e ele tb para ser avaliado pelo pessoal do Instituto Helena Antipoff
http://ihainforma.wordpress.com/ .
Na quarta, calor digno de amostra grátis do inferno, lá fomos nós pro 5º CRE. Eu esperava a maior bagunça um lugar xexelento, mal arrumado e calorento. Nossa, quanto pré-conceito que eu tenho! Era um prédio arrumado, limpo, organizado. Estava vazio, apenas uma criança antes de nós. Entramos e fomos MUITO, MUITO, MUITO bem recebidos pelo pessoal do IHA. Não precisou 10 minutos pra moça virar pra mim e dizer: "Ele é Asperger, né?". Conversamos muito, muito mesmo. Até o acompanhamento da defasagem da alfabetização que ele tem será feito pela manhã numa outra escola aqui perto tb. TUDO que a escola anda fazendo como se estivesse nos prestando um favor enorme, é direito do meu filho. É LEI ele fazer prova oral, no tempo dele, em local separado se for o caso. Não favor, é LEI! Nossa, eu cheguei a chorar, sabe. Nunca fomos tão bem recebidos, tão compreendidos, tão confortados.
Saí de lá com a matrícula dele feita pra esta escola aqui na esquina, que vai até o 5° ano. Só temos que nos apresentar lá em dezembro. A matrícula do Esil é em novembro. Claro que estamos pesando tudo. Por mim não há dúvidas, mas o Carlos está cheio de receios, de medos. Tenho que dar tempo para ele digerir que o filho irá frequentar uma escola pública, levando-se em conta a pressão enorme que sofremos por muitos membros da família, gente que acha que meu filho não tem nada de errado e que tudo é invenção nossa. Enfim, um discurso que já fiz aqui muitas e muitas vezes.