segunda-feira, 1 de abril de 2013

Meu Filho, Meu Mundo

Este é o título de um filme que eu vi quando criança. Falava de um menininho que tinha autismo e que não se comunicava, passava o filme a girar um prato e a balançar as maõzinhas enquanto o prato girava. Na minha cabela de criança a palavra "autismo" soava tão familiar quanto "bacanal"... rsrsrsrsrs Toda vez que eu via aquele filme (que por anos foi exaustivamente repetido na Sessão da Tarde - hoje eles preferem um filme de autistas com o Zac Efron), me pegava pensando e tendo muita pena daquela criança e daquela família. Achava que as pessoas que tinham um filho assim doente eram dignas de pena e estavam sendo castigadas por Deus, pois só um castigo justificaria tamanha provação.
E o tempo passou. Namorei, casei, engravidei de uma criança que foi MUITO esperada. Meses de preparação para recebê-lo. Ele foi o primeiro bebê com o qual eu tive mais intimidade, aprendi tudo que sei sobre cuidar de bebês com meu professor Pedrinho.
E ele cresceu, aparentemente normal, tranquilo. Aos 3 anos começaram umas crises de agressividade na escola, procuramos uma psicóloga e fomos na terapia por alguns anos. Nos encaminha pra psiquiatra, iniciamos uma medicação pra transtorno de humor bipolar, mas as crises persistem. Um belo dia esta psicóloga nos diz que ele precisa fazer um exame neuro-psicológico.
Logo na primeira conversa com a neuro psicóloga ela fala da Síndrome de Asperger, autismo de alta habilidade. "AUTISMO?" Naquele dia vim pra casa como se tivesse recebido uma sentença de morte. Autismo? Como assim? Meu filho FALA! Autismo? Meu filho olha nos olhos, interage. Esta dona tá doida, maluquinha, bebeu antes da consulta!
Fizemos os exames que demonstraram que meu filho tem um QI acima das crianças da idade dele. Mas a interação social dele é nula, quase inexistente. Passei os resultados para a psiquiatra que começou a explorar mais a fundo esta hipótese.
O tempo passou, os sintomas estão cada vez mais gritantes e presentes nele. O diagnostico foi fechado após quase 3 anos de análise. Curiosamente, a palavra autismo não me assombra mais. Não entendo a presença de meu filho em nossas vidas como um castigo de Deus, uma punição. Não vou enganar ninguém dizendo que é tudo lindo e maravilhoso. Não é. É muito difícil pra mim, pro pai dele, pra nossa filha. Somos uma família em tratamento também.
Mas creio que abrir a boca e sair contando pra todos sobre o autismo do Pedro me tirou um peso imenso das costas, como se agora houvessem muitas mãos me auxiliando a cruzar meu caminho. Muitos familiares estão nos estendendo suas mãos, amigos então, nem se fala.
Quando a gente fala sobre um problema, ele deixa de doer tanto, ele deixa de ser um fantasma imenso. mas eu choro ainda. Tem dias que desmorono sim. A cada expulsão de cada escola foi uma crise pra mim (e vcs podem ler isso aqui no blog, não estou exagerando). Admitir que este ano seria um ano de tratamento pro meu filho numa escola e não um ano acadêmico foi duro, doído... Cresci com meus pais valorizando o ensino. Mudei muitos conceitos dentro de mim pelo meu filho.
Não, eu não sou uma mãe perfeita e nem tampouco digna de pena, conforme eu achava das mães de crianças especiais. Noutro dia eu estava triste, reclamando com o Pedro sobre a medicação, que eu achava um saco ter que comprar remédio antes do outro acabar pq ele não poderia ficar sem. Meu filho, do alto de seu conhecimento de 8 anos de idade me disse uma coisa que SEMPRE vou levar comigo pra me dar força quando eu esmorecer: "Mãe, ainda bem que tem remédio e tratamento pro que eu tenho. Pior se eu estivesse com câncer e vc soubesse que eu ia morrer."
Esse é meu menino, meu anjo azul!

4 comentários:

  1. Impossível ler isso sem ficar emocionada. Muito lindaa forma com que você fala do Pedro. Com tanto amor, carinho, cuidado... Espero poder conhecer vocês logooo!

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  2. Sis,
    com certeza você não é uma mãe perfeita, mas, como diz o Alê, definitivamente é a "mais perfeita das imperfeitas", pode acreditar nisso...
    Mil beijos,

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