quarta-feira, 6 de março de 2013

No Limbo

Segundo o dicionário, LIMBO significa "Lugar intermediário entre o céu e o inferno onde, sem a felicidade celeste, nem as penas infernais" (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=limbo). Pois bem, é lá que me encontro agora. Tudo suspenso, sem nenhuma solução de nenhum lado.
Ontem, após dar tantos e tantos murros em pontas de facas afiadíssimas, resolvi começar a buscar pelo outro lado: escolas voltadas às crianças especiais propriamente ditas. Com dois endereços debaixo do braço, parti com a avó do Pedro para conhecer estas escolas. 
Ambas com o mesmíssimo perfil: crianças de alma, mas não de corpo, adultos e adolescentes seriamente comprometidos em suas desordens, muitos sem falar nada... Na segunda apenas ao olhar pro meu filho já disseram: "Ele é muito inteiro pra estar aqui, não corresponde ao nosso tipo de aluno".
Resumindo: para as escolas especiais, meu filho é extremamente normal pros padrões deles. Enquanto isso, as escolas normais o consideram um caso perdido e especial demais pros padrões deles tb. Ou seja: estamos vivendo num limbo onde meu filho não se encaixa em lugar algum.
Reiniciamos a busca por escolas ditas inclusivas e já estou vendo o pesadelo todo se reiniciando...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Tentando digerir

Tô aqui tentando digerir tudo o que houve ontem na escola... Confesso que tá difícil. MUITO difícil... Eu havia apostado todas as minhas fichas, todos os meus sonhos e expectativas na educação pública. Achava realmente que eles seriam capazes de quase um milagre em relação ao meu filho. Tantas recomendações, tanto cuidado no IHA pra dar no que deu.
Estou me sentindo impotente, fraca e uma enorme perdedora. Acreditei que era possível meu filho ter encontrado um lugarzinho ao sol. Mas acabou que eles se revelaram até piores que os da outra escola. Lá ele tinha uma professora que lutava por ele e com ele. Ele teve alguém que peitou o sistema e nunca deixou a peteca cair.
Agora na 5 de Julho ele não tem ninguem. Ninguém comprou a briga dele. Na verdade, a primeira professora (que entrou sabendo que logo seria substitituída pela titular da turma) foi um anjo com ele, mega paciente e doce. Mas assim que ela saiu e a outra entrou, a coisa saiu de vez dos eixos. Me surpreendeu a rapidez com que desistiram dele. Tô muito triste...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

It's just the same old story...

A mesma coisa de novo e de novo e de novo... Hoje fui com o Pedro pra escola, conforme combinado com a coordenadora. Ele teve um surto lá, tentei segurá-lo pela blusa, a blusa se rasgou nas minhas mãos. A professora ficou com cara de tacho e a coordenadora me levou pra conversar na sala dela. Simplesmente é o que vinha acontecendo nos outros dias que ele foi sozinho. A professora trocou e ele, surtou. A coordenadora, com todo cuidado do mundo, me sugeriu que ele só ficasse frequentando de manhã, na sala de recursos e que neste meio tempo eu tentasse uma vaga numa escola de educação especial propriamente dita pra ver se lá ele fica bem. Me deu o endereço e o telefone da escola, só que tô como doida tentando contato e nada.
Nossa, eu já devia estar mais que cascuda nestes assuntos, mas continuo me magoando, me entristecendo, me sentindo uma perdedora... Eu já devia ter deixado de ter esperanças de que tudo ia dar certo desta vez, deixado de sonhar com um lugar pra ele. Mas eu insisto em achar que finalmente vai dar tudo certo. E só me ferro no final.
Tô desiludida, desacreditando de tudo. Mas não vou desistir dele não. Isso, nunca!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Não existem coincidências...

Hoje vou fazer todo mundo chorar aqui! Até pq eu chorei demais ontem e não quero ficar sozinha neste barco! rsrsrs
Acabamos de voltar de uma festa de uma amiguinha da Silvinha na escola. A princípio ela iria com os avós sozinha pq às quintas temos consulta com a terapeuta de família. Mas o Pedro estava MUITO agitado e não queria me largar de jeito nenhum e eu tb estou resfriadíssima, sem voz nenhuma. Liguei pra moça e cancelamos a consulta. Fomos então os 4. Eu jamais imaginaria que passaria por emoções tão intensas lá.
Silvinha tem uma coleguinha de turma, de 10 anos, que teve paralisia quando nasceu e tem graves problemas motores e na fala, esteve entubada por muito tempo e não fala, só basicamente sussurra. Está numa cadeira de rodas pq teve que operar as duas pernas. Pedro simplesmente se apaixonou pela garota e ela, por ele. Um abraçava e beijava o outro, não se largaram a festa inteirinha. Ele passeou pra lá e pra cá com ela, teve um carinho, uma delicadeza imensos. Jogaram Wii, totó, enfim, foi simplesmente lindo. Eu chorei, me emocionei e a mãe dela, idem. Disse que nenhuma criança fica perto dela, que têm medo do excesso de carinho dela, igualzinho ao Pedro. Enfim, trocamos telefones pq meu filho conquistou hoje sua primeira amiguinha de verdade, Bárbara.

Combinamos dela vir aqui semana que vem e me emocionei mais uma vez quando a mãe dela me disse que o sonho da Bárbara era ir visitar um amiguinho, pois ninguém nunca quis convidá-la. Me emocionei pq é o sonho do meu filho tb e acontece igualzinho com ele. Estas duas crianças foram duas almas que se encontraram nesta vida. Ele disse que ela é linda demais, uma pureza imensa pra quem vê com os olhos do coração mesmo.
E, ao lembrar que nem era pra gente ir e tanta coisa aconteceu que nos fez ir, tenho a certeza mais que absoluta da existência Dele - não existem coincidências. Existe a mão Dele a nos guiar. 







quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Deus vê longe...

Hoje o Pedro surtou na escola. A coordenadora me ligou pra pedir que eu fosse buscá-lo. O carinha do transporte (tenho certeza de que ele vai rodar, não tô gostando nada dele) não me atendia e minha amiga que leva e busca a Silvinha quem acabou indo lá comigo. Ele estava mais calmo quando cheguei, mas visivelmente alterado... Minha reação foi calma, incrivelmente calma. Ou estou me acostumando com isso ou perdendo a noção das coisas de vez...
Não sei por que (aliás sei, pq Ele existe) me veio a inspiração de perguntar pra coordenadora se EU poderia ficar na escola todos os dias enquanto ele estudava. E, pra minha surpresa e felicidade, ela adorou a idéia. Graças a Deus!
Cheguei em casa, liguei pro trabalho e pedi que não me dessem turmas durante a semana, só após 20h. Mas não tem como ser assim e então ficarei só aos sábados. Claro que meu dinheiro vai cair e MUITO, mas a tranquilidade de espírito que terei acompanhando meu filho ao invés de ficar imaginando como ele está na escola. Não entendo como antes eu não havia pensado nisso... Mas creio que as outras escolas não permitiriam.
Enfim, conforme aprendi durante este tempo todo com o Pedro, Ele vê longe e sabe o que está fazendo. Se me colocou neste caminho, sabe o que está fazendo. Vou deixá-Lo então, me conduzir.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Never say Never...

Eu nunca mais vou dizer nunca. Achei que a escola anterior seria pra sempre e que nunca mais teria uma primeira vez numa outra escola. mas teve e desta vez foi bacana...
Ontem o Pedro teve o primeiro dia de aula numa escola municipal. Confesso que me doeu vesti-lo com o uniforme da escola pública. Mas doeu e parou muito rápido, pq quando cheguei lá vi que criança é criança em qq lugar e que não importa o que vestem, são anjos de Deus.
A coordenadora havia me pedido pra ficar lá à espera dele neste primeiro dia e a primeira semana será de adaptação, 2h apenas. Enquanto lá, produzi algumas linhas refletindo meus sentimentos. Aqui estão elas.
"Primeiro dia de aula... Tô aqui na escola esperando enquanto meu filho está lá na aula. Meu coração encontra-se em minhas mãos. Ele bate descompassado de agonia. Agonia menor que qualquer outro primeiro dia, pq pela primeira vez me foi dada a oportunidade de acompanhá-lo neste primeiro dia. Se eu estou nervosa, imagine ele!
Mas, tirando um certo medo inicial quando ele me agarrou pela cintura (e eu juro que achei que estava tudo a perder naquele momento), ficou tudo bem. Ele entrou na boa.
Agora acabou de sair correndo aqui pra fora, quase fugiu para rua e eu achando que ficaria tudo OK, que ele ficaria quieto em sala... Será que vai começar tudo de novo? A professora já disse que quer dar uma palavrinha comigo quando ele sair.
O coração, que batia nas minhas mãos, veio rapidamente parar na minha boca. E lá vamos nós de novo com a mesma novela..."
E a profª veio falar comigo e não era nada demais. Mas eu SEMPRE vou ficar desesperada, SEMPRE na defensiva...Ele ficou pra aula de educação física e adorou.
Hoje começou na sala de recursos pela manhã (vai fazer 4X por semana de manhã cedo). Confesso (hoje eu tô confessando tanto, gente!) que não faço a mínima idéia do que é uma sala de recursos e tampouco como isso pode ajudar meu filho. Mas se tem, ele tem direito e disseram que vai ajudá-lo, fico feliz dele estar frequentando.





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Síndrome de Asperger, muito prazer!

Enfim, enfim, enfim... Ontem a psiquiatra bateu o martelo! Pela primeira vez, com todas as letras e certeza deu o diagnóstico sim de Síndrome de Asperger (http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/sindrome-asperger-625099.shtml) associado ao TDAH e ao THB pro meu filho.
São só nomes, dirá vc caro leitor. Não, são afagos no coração, alentos na alma, sopros de vida. É uma certeza que ajuda a trilhar um caminho de equilíbrio e vida melhor pro meu Pedro. Uma luz na vida dele, no próprio tratamento psiquiátrico dele.
Enfim, diante deste diagnóstico final, posso correr em busca sim dos direitos dele. Lutar sem medo pra que ele tenha seus direitos preservados e fazê-los valer. Conforme eu disse à ela na consulta, não é exposição o que faço com meu filho. É informação pras pessoas, é integrá-las à vida dele para que aprendam a vê-lo do jeitinho que ele é, sem véus, sem meias palavras, sem enganações.
Sim, eu tenho um filho especial. Engraçado que na gravidez eu ficava preocupada demais com isso, nem dormi na véspera do exame da translucência nucal onde mostraria alguma anomalia. Pensava o tempo todo em quão fortes as mães de crianças deficientes deviam ser. Não entendia a felicidade delas em ter alguém "diferente" pra cuidar.
Daí meu filho nasceu lindo, perfeito, inteiro por fora. Aparentemente, "normal". E o tempo passou, e as diferenças começaram a aparecer. E eu entendi que elas eram por dentro, que nenhum exame as detectaria e que Deus ia me provendo, aos poucos, das ferramentas necessárias para aprender a conviver com a diferença. E a tal "força" que eu via nos outros, foi brotando em mim. Não, eu não me sinto melhor do que ninguém por causa do Pedro. Não é isso mesmo. Mas me sinto melhor do que eu mesma achei que eu seria. Meu filho fez nascer o melhor de mim; me transformou numa pessoa em que eu jamais sonharia em ser, jamais. Eu sempre fui um exemplar perfeito de filhinha do papai, mimadinha, mandona, fútil. Dificilmente a adolescente e jovem que fui se reconheceriam no que sou hoje.
Mudei por ele, pra ele e com ele. Ele chegou, mas quem nasceu, fui eu.
Obrigada, meu filho querido!