quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Balada do Louco


Balada Do Louco

Os Mutantes

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

Caro leitor, vc deve estar se perguntando: pq esta música? 
Vamos então às explicações: hoje, 29 de novembro de 2012, completo 44 anos. Se o 22 é a carta do louco no baralho do tarô, então imagine o 44! Loucura em dobro, não?
Quando eu era criança, minha idéia de uma mulher de 44 anos era a de uma senhorinha, com a vida já no fim, sem perspectiva de nada mais. Com filhos crescidos, se preparando para ser vovó (minha mãe foi vovó aos 46 anos) e para se aposentar de tudo.
Será que a criança que eu era se orgulharia desta mulher de 44 anos totalmente diferente do que ela imaginava? Será que a criança que eu era presumiria que de vovó eu não tenho nada (salvo o Miguel, que é meu netinho canino)? Ah, sim, tenho os cabelos brancos, mas uma tintura básica rapidamente liquida este assunto!
Filhos crescidos? Nada!!!! Crianças lindas, pequenas ainda, se preparando pra este mundo de Deus. Crianças abençoadas, desejadas, queridas, que vieram na hora certa. Crianças que estão me rejuvenescendo dia após dia. Crianças que me fazem ir ao cinema morrer de rir com desenhos animados, que me fazem ver o mundo através de seus olhinhos inocentes, puros e doces.
Aposentadoria??? Nada!!!! Ainda brilha em meu olhar a chama do ensino, a vontade de trazer `vida o conhecimento adormecido na mente das pessoas. Ainda sinto mil borboletas no estômago no início de um semestre letivo. Ainda amo de paixão meus alunos e amo ser chamada de teacher!
Sem perspectiva? Nada! A cada dia minhas esperanças se renovam, renascem, reaparecem. A cada dia olho pro meu marido e vejo o pq de amá-lo, o pq de tê-lo escolhido como companheiro para uma vida toda. O pq de, apesar de brigarmos feio algumas vezes, estar com ele até hoje (após mais de 15 anos) e querer estar com ele para todo sempre, o pq de querer que seja ele a pessoa que irá fechar meus olhos quando Deus fizer Seu chamado à minha alma.
Enfim, acho que eu surpreenderia e muito a menina que fui!
Meu mundo todo resumido nesta foto: as pessoas mais importantes da minha vida!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Alma Ensolarada

Hoje está chovendo aqui, mas dentro de mim está ensolarado! Consegui resolver a história da escola do Pedro. Semana passada denunciei aquela escola ao IHA e eles marcaram hoje conosco pra irmos lá na 5ª CRE para resolver a situação.
Foram MUITO solícitos, pediram desculpas pelo comportamento da diretora daquela escola! Dá pra acreditar nisso? A gente ser bem tratado??? Nossa, juro que emocionei com toda a mobilização do grupo em conseguir vaga pro Pedro numa outra escola que havia sido recomendada pela psicopedagoga. Conseguimos não só a vaga para a escolaridade em si como tb para a sala re recursos, uma espécie de reforço escolar que ele terá no contraturno (turno oposto ao da aula dele).
Agora é lutar contra alguns membros da família que não compreendem nossa escolha, que ao invés de nos apoiar coloca o dedão na nossa cara e se enchem de pré-conceitos... Enfim, lutar mais uma vez, e lutar firme pq até agora nossa luta t~em tido mais resultados positivos do que negativos.

domingo, 25 de novembro de 2012

Fé e Religião

Vamos lá atualizando as notícias. O novo medicamento, Venvanse, vem se mostrando mais um divisor de águas na vida de meu filho. Ele está outra criança; mais centrado, mais tranquilo. Consegue ficar horas assistindo um filme sem correr pela casa; consegue sentar e desenhar atentamente. Queira Deus que tudo se mantenha assim e que tenhamos finalmente acertado a medicação pro TDAH.
O mediador, moleque que é (o que fica ainda mais ridículo em se tratando de um homem de 40 anos), apareceu exatamente um dia antes do dia de receber. MUITO cara de pau! Apareceu depois da hora do Pedro ir à escola e ainda pediu dinheiro emprestado! É mole? Veio dois dias depois receber e conversar com o Carlos. Jurou de pés juntos que apareceria no dia seguinte pra ir à escola com o Pedro e, óbvio e esperado, sumiu. Deve ter ficado putinho pq descontamos todo e qq dia que ele faltou, claro! Fiquei muito danada da vida pq ele veio, o Pedrinho ficou todo feliz com o reaparecimento, se encheu de esperanças de que a vidinha dele iria voltar à normalidade e o cafajeste sumiu de novo.
Quanto àquela questão da escola municipal aqui da esquina, eu os denunciei ao IHA e a moça do IHA responsável pela 5ª CRE marcou comigo de nos encontrarmos lá mesmo na 5ª CRE para resolvermos a situação do Pedro. Ou eles vão me indicar uma escola onde realmente haja inclusão ou vão fazer a fulana lá da escola daqui ter que nos engolir de qq maneira e tratar meu filho muitíssimo bem. Fiquei bem tranquila e esperançosa após a conversa.
E agora um desabafo: tô de saco MUITO cheio de quem fica me pentelhando e insistindo que o problema do Pedro é apenas espiritual, que  uma vela, uma reza ou qq coisa semelhante o curará, sem necessidade de tratamento algum. Eu tenho fé, não desacredito das coisas. Mas tb sei que se tudo se resolvesse assim, não haveria mais médicos, haveria apenas pais de santo, padres e pastores. A gente tem que cuidar do lado espiritual sim, claro, jamais deixá-lo de lado, seja qual for nossa religião. Mas tb não podemos deixar nos cegar por isso e abandonar as práticas humanas. Na minha humilde opinião, Deus age quando aparece e me mostra o tratamento certo, quando ilumina a mente da médica do meu filho e ela descobre um ovo medicamento, um novo caminho pra ele. Deus está lá quando não me deixa cair, quando me mostra que há onde ir. Isso, pra mim, é que é fé.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Raining...

Today is raining inside of me...

É assim que me sinto, chuva intensa por dentro, trovoadas, relâmpagos, granizo. Tristeza, tristeza, tristeza.
A psiquiatra manteve a medicação (até pq quem sabe das reações do meu filho sou eu, Carlos, ela e minha secretária que convive conosco de perto sempre) e vai tentar um medicamento pra TDAH, novo, com princípio diferente da Ritalina. Não quero criar nenhuma expectativa.
Ela pediu que consultássemos uma segunda opinião de neuro antes de fazer um exame tão sério. Na sexta levarei a lista dos credenciados da Caixa pra fono do Pedro examinar.
Hoje teve reunião na escola e elas decidiram que ele só vai lá fechar as notas que faltam, três provas. O mediador mentiu, nos enganou dizendo que ele já tinha feito tudo. Este sumiço dele foi coisa de moleque. Um homem de verdade nunca faria isto, principalmente se tem uma criança no meio.
Estamos reanalisando o Esil, mas estamos sem mediação. Se desse como, eu contrataria meu próprio irmão para mediar com ele...
Tô desmotivada sim, tô triste pra caramba sim. Sei que daqui a pouco eu preciso levantar a poeira e dar a volta por cima, mas meanwhile, estou down.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quando a esmola é muita...

Bom, as coisas estavam indo bem demais da conta. Primeiro foi o mediador que parecia uma bênção dos céus. Pedro evoluiu na escola, fez as provas, tirou notas altíssimas, mas... tem sempre um MAS, né? Pois bem, há uma semana o camarada sumiu, sumiu, evaporou, desapareceu sem deixar rastro algum. Uma semana telefonando pra ele, uma semana sem ele nos responder, sem dar qq sinal de vida. Mais uma vez ficamos reféns de alguém, na dependência desta pessoa pra nossa vida seguir adiante. Uma semana sem meu filho ir à escola pq eles proibiram a presença do Pedro sozinho. Mais uma vez dando explicações à família que simplesmente cisma em não entender que o problema é MUITO complexo, que vai além das suposições errôneas deles.
Daí fomos a um neuro-pediatra. O camarada mal olhou pro meu filho, não examinou, não conversou com ele e muito pouco comigo. Senti que perdi meu tempo e o dindim de quem pagou a consulta. Me senti constrangida diante da ineficiência do camarada, a consulta não demorou mais que 15 minutos! Realmente achei que ele poderia vir a nos ajudar. Pediu um exame dificílimo de ser marcado, um exame com anestesia geral. Não marquei nada antes de falar com a psiquiatra do Pedro (hoje temos consulta). Mais uma vez tive esperanças de solução, mais uma vez, me decepcionei.
Por último vem a escola. Resolvi fazer mais uma visita à escola aqui da esquina, desta vez com o Carlos e o Pedro. Nossa, foi um verdadeiro desastre! Pedro se comportou pessimamente, agitadíssimo, chutou a canela da diretora adjunta (pq a diretora mesmo nem se dignou a sair da sala dela pra nos ver), babava mais que nunca, gritou... Enfim, a mulher ficou literalmente apavorada com a possibilidade de tê-lo lá ano que vem e disse mil coisas para nos desmotivar. Disse que desconhecia o sistema de provas especiais pra ele, disse que se ele machucasse algum amiguinho na escola ela mandaria eu e Carlos nos entendermos com o Conselho Tutelar, que não estava nem um pouco preparada para uma criança como ele e que a gente nem tentasse enfiá-lo numa turma especial pq não havia vagas... Saí de lá arrasada...
Mais uma vez estamos na busca da escola pra 2013...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Esperanças em pausa

Acabei não resistindo e indo visitar a escola municipal aqui na esquina. Bom, o espaço é ótimo, a infra estrutura tb, nada a desejar das escolas particulares que conheço na região - tá, não tem ar condicionado nas salas, mas eu estudei a vida inteira sem ar condicionado e não morri... Conversei com a diretora, a achei meio seca, mas foi educadissima comigo. Enquanto conversávamos, entrou um trio da pesada na sala: dois irmãos que brigaram e na briga acabaram rasgando a blusa de uma terceira criança que absolutamente nada tinha com a história. Fiquei tensa, muito tensa... E o estado lastimável das crianças... Sujas, emporcalhadas, narizes melequentos, olhos remelentos, um horror. Saí de lá com uma péssima impressão...
Horas depois, na hora da saída, voltei. Vi os alunos limpos, arrumados, "normais" e com pais, mães, avós e avôs indo buscá-los. me tranquilizei um pouco. mas só um pouco... Pode ser que  convivência com a diferença seja ótima pro meu filho (e assim espero), mas pode dar em desesperança, em tristeza e cobranças futuras tipo: "PQ eu fui pra escola pública e a Sílvia, não?" - complicado, viu?

Outra coisa que me incomodou MUITO foi a última consulta com a antiga psicóloga do Pedro. Última mesmo, pq tenho certeza de que não voltarei lá. Primeiro pq ela já havia passado o caso para outra pessoa - que, diga-se de passagem, em dois meses teve avanços com o Pedro que ela não conseguiu no último ano...- e depois, quando nos despedimos, me disse: preciso do dinheiro desta consulta agora (a gente sempre acerta dia 20, ou seja, teria ainda um mês todo de consultas comigo) e eu te ligo quando tiver uma vaga pra vc voltar... E eu me pergunto: se ela não está mais no caso do Pedro, pq a escola foi procurá-la para conversar sobre ele? Não seria o caso de procurar a moça que agora cuida dele? E ela, na conversa, mais uma vez me chateou com a história ridícula de que eu preciso cuidar do Pedro e não dançar... Cacete, viu?

Pra completar, o mediador sumiu. O cara dá umas sumidas muito esquisitas, não dá satisfação alguma pra ninguém. Daí a escola fica torrando o meu saco, pq eu não aviso que ele ia faltar. Mas nem a mim o camarada avisa! Nossa, eu cada dia que passa quero é mais que este ano letivo acabe e este pesadelo com esta merda de escola. Eu só ia jogar a merda no ventilador no fim do ano, mas vou logo divulgar o nome daquele inferno em nossas vidas: Colégio de Aplicação Criativo, na avenida Jambeiro, Valqueire. Quero é mais ver o nome deles na lama!

sábado, 13 de outubro de 2012

Janela Aberta?

Há alguns anos atrás, vendo o filme "A Noviça Rebelde" (não há Cristo que me faça entender pq "The Sound of Music" virou isso em português, mas isto é ooooutra história), escutei a Madre Superiora dizer à Maria, então em dúvida se deixava o hábito para correr atrás de seu grande amor, Capitão Von Trapp: "Quando Deus fecha uma porta, ele abre uma janela". Aquilo me impressionou por anos e eu não tinha idéia de que isto é um dito popular, mas pra mim foram palavras sábias de uma religiosa de respeito.
Pois bem, ao longe desta trajetória com o Pedro, várias e várias portas têm sido fechadas, aliás, batidas na nossa cara. Mas tb logo depois vem uma janelinha tímida se abrindo e mostrando o caminho.
Conforme eu disse no post anterior, achamos uma escola maravilhosa... Na Penha Circular, que fica há cerca de 1:30 minutos daqui de casa, sem trânsito, de ônibus. Queremos colocar o Pedro lá, é nosso plano inicial. Mas...
Na terça-feira desta semana, estava assistindo o "Bom Dia, Rio" e vi anunciarem que o município estava abrindo vagas para a educação especial. Então me perguntei:"PQ não?" Uma amiga querida, Claudia (uma das únicas leitoras daqui, creio eu, rsrsrs) há tempos vem me aconselhando tomar este caminho. A psicóloga e fono do Pedro, tb. A terapeuta familiar, tb. Será que era mera coincidência, justamente naquele dia eu assistir o noticiário que NUNCA assisto??? Entrei no site da prefeitura e fiz a inscrição, a opção era uma escola aqui na nossa esquina. Para minha surpresa, correu tudo bem, tinha vaga e marcaram pro dia seguinte para eu ir na CRE (conselho regional de educação) para levar a documentação do Pedro e ele tb para ser avaliado pelo pessoal do Instituto Helena Antipoff http://ihainforma.wordpress.com/ .
Na quarta, calor digno de amostra grátis do inferno, lá fomos nós pro 5º CRE. Eu esperava a maior bagunça um lugar xexelento, mal arrumado e calorento. Nossa, quanto pré-conceito que eu tenho! Era um prédio arrumado, limpo, organizado. Estava vazio, apenas uma criança antes de nós. Entramos e fomos MUITO, MUITO, MUITO bem recebidos pelo pessoal do IHA. Não precisou 10 minutos pra moça virar pra mim e dizer: "Ele é Asperger, né?". Conversamos muito, muito mesmo. Até o acompanhamento da defasagem da alfabetização que ele tem será feito pela manhã numa outra escola aqui perto tb. TUDO que a escola anda fazendo como se estivesse nos prestando um favor enorme, é direito do meu filho. É LEI ele fazer prova oral, no tempo dele, em local separado se for o caso. Não favor, é LEI! Nossa, eu cheguei a chorar, sabe. Nunca fomos tão bem recebidos, tão compreendidos, tão confortados.
Saí de lá com a matrícula dele feita pra esta escola aqui na esquina, que vai até o 5° ano. Só temos que nos apresentar lá em dezembro. A matrícula do Esil é em novembro. Claro que estamos pesando tudo. Por mim não há dúvidas, mas o Carlos está cheio de receios, de medos. Tenho que dar tempo para ele digerir que o filho irá frequentar uma escola pública, levando-se em conta a pressão enorme que sofremos por muitos membros da família, gente que acha que meu filho não tem nada de errado e que tudo é invenção nossa. Enfim, um discurso que já fiz aqui muitas e muitas vezes.